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Fábio e Verônica, Verônica e Fábio. Um escritor e uma musicista, pelo menos aspirantes a isso rsrs! Amantes das letras, dos sons e de tudo que é arte! Amigos acima de tudo! Fizemos esse cantinho para dividir nossas idéias e ideais aos olhos da Net!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Idealizações

Não sei se vocês já perceberam, mas normalmente a gente não só julga as pessoas antecipadamente, como achamos que cantoras, atrizes, e artistas em geral devem ser como nós, pensar como nós, agir como nós, em suma serem “bons”.
Eu não sei vocês, mas eu adoro ler biografias, então volta e meia conheço a real personalidade de um autor que gosto e me decepciono porque ele fez determinada coisa que eu jamais faria na mesma situação, ou me dou conta de que tem coisas que desde sempre acontecem e não mudam e que até mesmo aquela pessoa passou por isso. Isso é meio frustrante, eu confesso.
Claro que às vezes também vemos, no meu caso principalmente em crônicas e agora em blogs, que muitos pensamentos são iguais, ou semelhantes aos meus, isso me deixa muito feliz, e me abre uma esperança de ao menos compartilhar idéias com pessoas que gosto e também de ganhar algumas amizades, nem que sejam virtuais.
Agora eu pergunto: Porque tanta decepção ao ver que pessoas comuns como eu e você também erram? Porque tanta mágoa só porque o “meu” escritor preferido não agiu de acordo com o que eu achava? A resposta é bem simples: É porque assim que tomamos intimidade com uma pessoa, sendo física, intelectual, virtual ou qualquer outro tipo, nós “idealizamos” uma pessoa perfeita. Aí é que está o erro, porque como todos sabem não existem pessoas perfeitas e nem sequer duas pessoas que pensem exatamente igual em tudo. É como se tomássemos “posse” da pessoa em questão e quiséssemos que ela agisse de acordo com a nossa cabeça! E vendo as coisas assim tão nuas e cruas, pensando realmente na questão não é a coisa mais sem fundamento que existe? Como podemos querer que uma pessoa – única e com livre arbítrio próprio – sempre atue de acordo com o que esperamos dela?
E esse é o mesmo princípio dos relacionamentos. Não devemos tratar ninguém como se fosse nosso, como se fosse nós. Senão sempre iremos nos decepcionar. Devemos contar com nossas companheiras/os para nos ajudar e apoiar e não tratá-los como se fossem empregados ou como se tivessem a obrigação de saber o que gostamos ou não e agir dentro dos mínimos limites das nossas mentes, captando cada sinapse para fazer exatamente o que queremos. Isso não é amar.
E também eu prefiro admirar as personalidades das pessoas que escreveram biografias ou falaram ao vivo de si mesmas (não é porque a pessoa não pensa como eu que deixará de ser um ótimo profissional) porque para fazer tais coisas tem que ser extremamente seguras de si mesmas, ter uma alta auto-estima, e se aceitar como é. Para contar suas experiências para quem quiser ouvir ou ler tem que ter coragem de aceitar seus erros, suas falhas humanas, seus defeitos, tem que ter coragem de tirar as máscaras e se mostrar como realmente é, e isso por si só, já é admirável.

Agradecimento a Fábio Nunes de Moura pela sua contribuição. Nota expressa sua opinião. (Escrito em 05/10/2008 - Postado em 21/10/2008 ).

15 comentários:

Dama de Cinzas disse...

Nesse ponto eu ando na contramão, só pra confirmar, já que vivo nela... rs

Eu sempre olhos para meus ídolos, artistas e tal, como pessoas cheias de defeitos, talvez por isso eu não consiga idealizar esse pessoal que está distante de mim... Mais fácil ou idealizar alguém que tá próximo, por achar que aquilo que está me mostrando é o que a pessoa é no dia-a-dia.

Li uma vez a biografia da Janis Joplin e ela mexeu um bocado comigo. A vida dela foi bem diferente da minha, mas a forma como se sentia perante a vida era muito semelhante como me sentia na época. Aquilo foi fundo, porque sempre vejo os artistas como seres iguais a gente! Comigo sempre funcionou assim, e quando posso constatar não me assusto, mas acho legal!

Beijocas

Leandro BLuz disse...

E aí tchê?

Acontece que sempre visualizamos as pessoas que admiramos como pessoas especiais, acima da média!

Mas as vezes esquecemos que elas são pessoas, ou seja: tem defeitos, tem medos, fazem burradas, são idiotas as vezes, rejeitados outras...

O jeito é não se assustar, ou se decepcionar, simplesmente entender !!

Abraço, ótimo texto !

MELISSA S disse...

Entendo vc. Mas não sei o q acontece... Adoro ver opiniões completamente diferentes das minhas quando são bem fundamentadas. Adoro uma boa discussão. Adoro que discordem. Não somos perfeitos mesmo. Nem nós nem nossos autores preferidos. Não somos nem completamente bons nem completamente maus. Humanos, sempre achando que op nosso referencial é o melhor. E haja coragem e disposição para nos relativizarmos... Bjs

MELISSA S disse...

Arrasando no comentário como sempre :)))) Beijos!!!

Afobório disse...

olá.


acho que enquanto pessoas temos defeitos, e também sabemos disso, por isso buscamos encontrar erros em muitas pessoas.

acho que existe uma dificuldade em separar uma opinião da outra, no entanto, acredito que é através das diferenças que uma maioria toma um partido ou outro.

todavia, acredito também que não há uma verdade plena e total.

mas creio que existem visões diferentes.

o bom é aquilo que é ou não bom para você, para mim, para o beltrano e fulano.

mesmo porque, tanto as biografias, quanto as obras - não são unânimes, ao menos não necessitam desse compromisso.

portanto, penso que gostar ou não gostar da obra ou da biografia é sempre um posicionamento que independe de qualquer outro ponto em questão.


sorte e luz. enquanto você escreve, o mundo responde.

elisabete fialho disse...

Oi viva, ora bem vamos por partes
Repare, quando criamos vinculos virtualmente,fisicamente etc, quer uma parte e a outra tende a esquecer algo que os torna iguais, a sua condição de humanos(as).
Aqui começa o principio do suposto desencantamento e depois a desilusão
Tente racicionar comigo
Quando 2 alguéns se apróximam,é sempre com a ilusão que ali está alguem que será o poço da amizade, a fonte da compreenção da sua pessoa,da visão quase igual e logo de seguida da concordancia quase totalitária
Logicamente que é um erro crasso
Tente entender, somos todos humanos
Temos todos dias sim, dias nem por isso e depois aquele dias do definitivo NÃO
Vai daí erramos com tudo a que temos direito
Isto a par com experiencias de vida diferentes,temperamentos diferentes...logicamente que volta e meia a coisa corre mal
Eu própria reconheço que muitas vezes reajo em iguais situações de formas difrentes
Oiça somos humanos...claro que erramos
O meu truque foi apreder a relativizar o que me rodeia e o que assisto.
Garanto se não tivese aprendido a relativizar... já me tinha dado no minimo um clapso
Abraço até esselado do mundo

Bem Resolvida disse...

bom, eu aprendi com a experiência que se ficar esperando alguém perfeito vou me fuder pq essa pessoa não existe, inclusive eu mesma não sou. Seria muita hipocrisia da minha parte querer a perfeição em outra pessoa se não possuo o mesmo pra retribuir...

Depois que passei a ter esse tipo de pensamento me senti melhor nos meus relacionamentos, seja com homens/mulheres/amigos/whatever...

E esse povo do mundo artístico....deve ter quem se salve....rs

Beto Canales disse...

Esta projeção é o que afirma a psicanálise. Se certo ou não, é outro caso. Adoro minha projeção há anos. he...

Mary West disse...

Eu tenho sim o costume terrivel de colocar pessoas recem conhecidas em um pedestal. Acho que com o tempo isso há de passar.

Adriano Queiroz disse...

Não queremos o outro lado da moeda. Só aquilo que conhecemos.
Se o cara é visto com devasso, ele tem que ser devasso até o último, se é bonachão, idem.
Precisamos descontruir isto.

Breno C. disse...

Puts carinha! Esse foi um senhor post.
Minha opinião: como não tenho ídolos, ainda não sei bem o que é ter esse amor por um artista (escritor, músico, ator...), mas acho que não podemos nos sentir donos de ninguém, as pessoas são livres e por isso podem cometer erros. Quem quiser deixar de admirar um terceiro, só porque essa pessoa errou, deve reavaliar seus conceitos.

Mais uma vez: esse post ficou muito bom!

Jana disse...

Cada um de nós é um universo e não temos o direito de punir quem não é a gente.
Quando conseguimos entender isso, tiramos das nossas costas a responsabilidade torta e o remoto controle que pensamos ter da vida alheia.
E então ficamos mais leves, e mais felizes.

:)

Robson disse...

Penso que nos decepcionamos porque nos iludimos...E acho que a proporção é praticamente a mesma.
E quanto aos "idolos" desmontar um mito é coisa dolorosa, mesmo aquele que não é tão celebridade assim...
Grande abraço

Flávia Batista disse...

Caramba, se todo mundo pensasse assim "Não devemos tratar ninguém como se fosse nosso, como se fosse nós", os relacionamentos hoje em dia seriam bemmmm mais equilibrados, e até mesmo verdadeiros!

;)

Bill Falcão disse...

Sua análise me lembrou meu início na carreira de repórter, quando fui conhecer de perto alguns ídolos meus.
Tive certas decepções. E aprendi que nem sempre o artista é a pessoa que imaginamos ser. Para nós, fãs, deveria bastar apenas a arte dele, e fim. Na época, uma amiga que estava na Holanda me escreveu, dizendo que tinha visto um show do Zappa, e até conversado com ele, nos bastidores. Mandou o ingresso, pra comprovar, e perguntou se eu não "estava morrendo de inveja."
Depois de minhas experiências aqui, respondi que estava com inveja de não ter visto um show do Zappa, mas não de não ter conversado com ele nos bastidores. Talvez isso tivesse mudado meu sentimento pela arte dele.
Assim, hoje, leio biografias e gosto, mas não tenho mais aquela vontade de conhecer meus ídolos. Basta conhecer a arte deles.
Grande abraço!!

Desarranjo Sintético

Desarranjo Sintético
"Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele." Mario Quintana